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Como um líder pode salvar uma equipe de um vexame?

José Carlos R. JúniorJosé Carlos R. Júnior

O dia 8 de julho de 2014 ficará marcado para sempre na história do futebol mundial. Infelizmente, de uma forma muito negativa para nós, brasileiros. Foi quando a nossa seleção sofreu a maior e mais dolorosa derrota de sua gloriosa história. Por que o Brasil perdeu de 7 a 1? Como a equipe não percebeu o resultado vexatório se construindo? O que poderia ter sido feito para, ao menos, diminuir a intensidade dessa derrota?

As respostas para essas e outras questões não são exatas e, muito menos, simples de serem encontradas. Há uma série de componentes envolvidos. Como em toda situação nova – sim, porque nunca o Brasil havia sofrido uma derrota de tamanho impacto – as pessoas têm que aprender como lidar e reagir. Cronistas esportivos, torcedores, ex-jogadores, técnicos, todos ficaram perplexos diante do acachapante revés sofrido no Estádio do Mineirão.

Capa MarcaMas, em que pesem óbvios componentes táticos, técnicos e até emocionais que podem explicar, em parte, esse inacreditável placar, podemos destacar um fator essencial que faz falta para qualquer grande equipe, seja no esporte ou não, e que, definitivamente, o Brasil não teve em campo: uma liderança forte.

Vale lembrar que a maior parte do placar impactante se construiu em um intervalo de apenas seis minutos, quando o time se atordoou e sofreu incríveis quatro gols. Esse foi o momento-chave da partida. Foi exatamente quando faltou a figura de um líder, alguém que acalmasse os ânimos da equipe no momento de maior turbulência dentro de campo, que soubesse gerenciar minutos de claro descontrole, de crise, que pegasse a bola no fundo do gol, reunisse os companheiros e mudasse o rumo das coisas a tempo.

E quando falamos de líder, não necessariamente falamos do capitão do time. Na final de 1958, o Brasil tomou um gol da Suécia aos 7 minutos do primeiro tempo, jogando na casa do adversário. O capitão era Bellini, mas quem pegou a bola no fundo do gol e deu segurança a todos naquele momento foi Didi. O Brasil manteve os ânimos controlados, empatou dois minutos depois e venceu por 5 a 2, com Pelé se consagrando aos 17 anos.

Naquela fatídica tarde/noite do dia 8 de julho de 2014, o Brasil estava sem seu capitão em campo, Thiago Silva. Muito voluntarioso, David Luiz estava com a braçadeira no jogo, mas não se mostrou o líder de que a seleção precisava. Aliás, ninguém apareceu nesta hora para dar tranquilidade à equipe e os onze jogadores ficaram perdidos em campo, em um dos momentos mais constrangedores do futebol mundial em todos os tempos, quando a seleção brasileira, cinco vezes campeã mundial, era humilhada em campo, dentro de casa, diante dos olhos de milhões de brasileiros.

Ganhar ou perder é do jogo, assim como é da vida ter sucessos ou decepções. Temos que estar preparados para isso a todo momento. O que não se pode é ver o navio afundando sem uma liderança sequer. Todos ficamos chateados pela forma como a derrota aconteceu, mas de tudo se pode tirar lições, mesmo que da forma mais dolorosa. Tentar achar culpados agora é inútil, mas aprendemos mais uma vez o poder de uma liderança forte e que é importante ter um comandante nas conquistas, mas é nas derrotas em que sua ausência de torna mais evidente.

José Carlos R. Júnior é jornalista, redator e revisor de textos. Trazendo uma experiência de mais de 10 anos gerenciando editorias em diversas mídias online e impressas, é hoje o responsável pela gestão de conteúdos e de comunicação da Conube.

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