Ah, a nova revolução industrial! Enquanto muito se fala sobre as inovações tecnológicas que influenciam a todos em escala global, a indústria 4.0 no Brasil ainda é um pouco atrasada, se compararmos com o panorama no restante do mundo.

O novo relatório do Fórum Econômico Mundial afirma que são apenas 25 os países que já conseguem desfrutar dos benefícios gerados pela indústria 4.0. Alguns lugares da Europa e do sul da Ásia lideram as mudanças relacionadas à transformação digital. Porém a América Latina como um todo ainda está engatinhando nesse processo.

Como está a Indústria 4.0 no Brasil

O estudo destaca oito principais insights:

1. A transformação global de sistemas produtivos será desafiadora. E o futuro da produção pode ficar cada vez mais polarizado em um mundo com velocidades distintas de inovação;

2. Surgirão diferentes caminhos conforme os países passam pela transformação dos sistemas de produção relacionados à indústria 4.0;

3. Todos os países têm abertura para melhorias;

4. Dentro de cada arquétipo, há desafios comuns;

5. O novo paradigma tecnológico traz à tona um aglomerado de novas indústrias. Mas existe potencial para liderança, embora apenas poucos países estejam posicionados para a capitalização;

6. A quarta revolução industrial irá desencadear reshoring, nearshoring e outras mudanças estruturais para cadeias globais de valor;

7. A prontidão para o futuro produtivo exige soluções globais e regionais, não somente nacionais;

8. Abordagens novas e inovadoras para colaboração pública-privada são necessárias para acelerar a transformação.

Dentre as principais tecnologias emergentes estão inteligência artificial e robótica, realidades virtual e aumentada, blockchain, nano e biotecnologia, geo-engenharia e captura de energia.

Em outras palavras, algumas das tecnologias de maior peso da indústria 4.0 fazem parte da lista. E o fato de o Brasil estar atrasado com relação a elas pode ser fator preocupante em diversas frentes.

Desafios e oportunidades da indústria 4.0 no Brasil

Uma reportagem, publicada em abril de 2018, afirma que o país não pode “ficar na rabeira do avanço tecnológico mundial”, uma vez que as tecnologias de informação e comunicação são estratégicas para garantir melhores posições de trabalho e fortalecer a cadeia produtiva nacional.

Para o autor, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, o fortalecimento do setor é fundamental para otimizar questões econômicas e sociais e oferecer oportunidades através da indústria 4.0 no Brasil.

Como isso pode ser feito?

Com simplificação e redução das estruturas legais e normativas nacionais, investimentos em infraestrutura tecnológica e treinamentos, implementação de políticas públicas que elevem a efetividade do sistema educacional e criação de projetos de incentivo para a geração de postos de trabalho focados em conhecimento e criatividade. Essas são algumas das ações que podem alavancar a indústria 4.0 no Brasil.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) revela que apenas 2% das empresas nacionais atualmente adotam tecnologias da indústria 4.0. Em países como Alemanha, Israel e Estados Unidos, o índice é de 15%.

A mesma reportagem afirma que o segredo está em alterar o modo de produção e a cultura empresarial, e não apenas investir financeiramente nas soluções tecnológicas.

Uma edição especial da revista Exame, lançada em maio deste ano, tem a mesma visão: a de que o Brasil precisa apertar o passo se não quiser ficar para trás no quesito inovação.

A publicação oferece, inclusive, um passo a passo para implementar a indústria 4.0 no ambiente corporativo antes que seja tarde demais. Resumidamente, o chamado “guia da revolução” é embasado em quatro pontos distintos.

Primeiro, é preciso enxugar:

Ou seja, “antes de digitalizar os processos, avalie a situação da empresa para adotar práticas gerenciais como eficiência energética, lean manufacturing e medidas para reduzir desperdícios.”

Depois, busque expertise no assunto:

Com tantas mudanças em tão pouco tempo, é essencial que os profissionais do agora aprofundem seus conhecimentos sobre os temas pertinentes. Sempre com pensamentos criativos e empreendedores.

O terceiro passo é tornar esse início simples:

Isso pode ser através de medidas de baixo custo e a inserção planejada das soluções tecnológicas na rotina dos colaboradores.

Por fim, é imprescindível pensar fora da caixa:

É necessário fazer uma previsão do que pode vir por aí. “Invista em pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de implantar fábricas inteligentes, flexíveis e ágeis, com capacidade de customização da produção em massa.”

A reportagem especial também afirma que os ganhos médios com a indústria 4.0 podem chegar a 26% no cenário nacional. O indiano Soumitra Dutta, responsável pelo Global lnnovation lndex, o principal indicador da evolução digital das nações, enxerga que “falta ambição no Brasil”.

De acordo com ele, o país ainda não possui uma imagem mundial ligada à inovação. A solução para crescer nesse sentido? Uma estratégia nacional capaz de “identificar as áreas que apresentam vantagem competitiva e incentivar a inovação nessas fronteiras.”

Agricultura, espaço aéreo e prestação de serviço são algumas das áreas que poderiam, segundo Dutta, ser muito mais exploradas pelo país com os avanços da tecnologia.

Qual é o cenário atual, afinal?

Evolução tecnológica da Indústria 4.0

Sim, ainda há muito a ser explorado. As oportunidades são amplas e promissoras, especialmente em se tratando de um país tão grande, diversificado e capaz. Mas, embora estejamos progredindo a passos lentos, as mudanças são latentes.

Este texto do site Convergência Digital apresenta diversos números que comprovam os primeiros passos rumo ao crescimento indústria 4.0 no Brasil. Se continuarmos seguindo por esse caminho, a tendência é de inegável crescimento.

Somente nos últimos dois anos, por exemplo, o número de grandes indústrias nacionais que utilizam algum tipo de tecnologia digital aumentou em 10%. Quarenta e oito por cento delas têm planos de investir mais e melhor em soluções apresentadas pela nova revolução industrial. Os processos de produção e gestão são os pontos focais de investimento para a grande maioria das organizações. Sobretudo para aquelas que adotam algum tipo de tecnologia atualmente.

Uma pesquisa desenvolvida pela FIESP descobriu que 55% das empresas brasileiras já estão em processo de implementação ou planejamento de ações que incluem inovações da indústria 4.0 na rotina da organização.

Os resultados também revelam que 90% dos negócios nacionais enxergam a inovação como uma oportunidade para aumentar a produtividade. E que os segmentos com maior potencial são os de produção (55%), controle da produção (50%), rastreabilidade (38%), controle de qualidade (32%), planejamento (31%) e engenharia de desenvolvimento de novos produtos (31%).

Mudanças e adaptações, especialmente quando ocorrem em velocidade impressionante, podem ser realmente assustadoras. As empresas e profissionais querem se destacar positivamente em um mercado altamente mutável. Mas para isso precisam, necessariamente, parar de fugir de uma realidade inegável.

Estamos em meio ao enorme boom digital e não temos como ignorá-lo. É preciso acelerar.

* Este post foi escrito por Tiago Magnus. Ele atuou nos últimos 10 anos em projetos digitais, trabalhando com marcas como Lenovo, Carmen Steffens, Mormaii, VTEX, Carrefour, Centauro, entre outras, e como sócio de uma das principais agências digitais do Brasil. Hoje, é Diretor de Transformação Digital na ADVB e Fundador do TransformacaoDigital.com.

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E então, entendeu um pouco mais sobre a Indústria 4.0 no Brasil e como ela podem impactar as empresas?