Sabe-se que atualmente o mercado imobiliário está desaquecido. Diferentemente do que o senso comum faz pensar, um mercado desaquecido favorece a compra de imóveis. Ao comprar imóveis já usados, são necessárias restaurações e reformas. Isso movimenta o mercado da construção. Então, para os empreendedores que imaginam começar um negócio neste setor, esta pode ser uma boa hora para aprender dicas de como montar uma loja de material de construção.

Não que lojas de material de construção não sejam exigidas em mercados aquecidos, aliás, é um dos empreendimentos que, se bem implementado, tem grande chance de sucesso independentemente do estado da economia. Também por isso elaboramos 5 dicas apresentadas na forma de tópicos para o empreendedor e futuro proprietário montar sua loja de material de construção. Essas dicas representam o básico que o empreendedor deve analisar antes da abertura da loja, tendo sido idealizado para quem tem o conhecimento técnico, mas ainda não possui conhecimentos administrativos e contábeis.

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1. Analise o mercado antes de montar uma loja de material de construção

A primeira etapa da criação não só de uma loja de material de construção mas de qualquer negócio é a análise de mercado. É nela que o empreendedor e futuro gestor verifica a viabilidade do negócio frente à concorrência e aos clientes.

Nessa análise, o empreendedor estuda quem vai comprar os produtos ofertados, como irá comprá-los e o que os motiva. Com essas informações é definido o público-alvo. Além disso, conhecer o público-alvo dos concorrentes é uma boa forma de diferenciar sua loja. Direcionar produtos e atendimento para clientes que ainda não são atendidos facilitará o progresso do negócio.

2. Projete a estrutura física da loja

O dono da empresa tem diversas obrigações, entre elas garantir o bom funcionamento da empresa. Pertencem a esse cenário ofertar mobilidade aos funcionários, boa iluminação e ventilação na loja, infraestrutura adequada ao produto que será vendido e a correta escolha dos fornecedores.

Em relação à segurança, tanto o showroom quanto o estoque devem estar assegurados, ainda mais se localizados longe do centro comercial da cidade.

Além disso, um bom aspecto visual é de grande importância e deve estar de acordo com seu objetivo (público-alvo e estratégia). Quanto ao marketing, o proprietário pode usar as redes sociais para divulgação e também buscar parcerias com escritórios de arquitetura e engenharia para se estabelecer inicialmente.

3. Faça um planejamento estratégico

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Segundo o Sebrae, o mercado de material de construção é bastante sólido, onde 81% das lojas existentes no Brasil atuam há mais de 10 anos (dados de 2014). Entretanto, grande parte delas são as chamadas Home Centers, lojas com grande variedade de artigos, que conseguem bons preços justamente pela grande quantidade de clientes e poder de barganha. Essas lojas serão concorrentes diretos. É preferível que não haja competição direta neste caso. Uma boa estratégia para a nova loja de material de construção é atrair o consumidor para suas imediações, mostrando que atendimento personalizado e preços competitivos são diferenciais.

Faz parte ainda do planejamento estratégico a localização da loja. Ela pode ser instalada em um pavilhão grande, com showroom (área de amostra de produtos) em um espaço e o estoque em um ambiente mais reservado. Essa opção afasta a instalação da loja de centros, tornando-a mais periférica. Isso não significa prejuízo, já que pode ser instalada perto de empreendimentos imobiliários, facilitando a vida do cliente.

A segunda opção é manter um espaço pequeno localizado nos centros de comércio com o estoque mais periférico. É uma escolha para empreendimentos que trabalham com material pesados e em grande volume, como vigas, tijolos, concreto, etc. Para saber qual é a melhor deve-se analisar o público-alvo, a concorrência, condições do imóvel e vias de acesso.

4. Fique atento aos aspectos organizacionais

Lojas de material de construção tem uma variedade muito alta de possibilidades de itens para venda. A loja pode possuir apenas itens para reformas básicas, material para construção pesada, ferramentaria, tintas e materiais para decoração (gesso, papel de parede) e assim por diante. Se o gestor optar por uma grande variedade, é fundamental que o cliente possa encontrar sozinho o que procura, logo, a organização interna da loja deve ser bem pensada.

Quanto ao pessoal, a loja precisará de vendedores, gerentes, entregadores e caixas. Eles devem conhecer a loja como um todo e não apenas o setor em que trabalham. Capriche na apresentação dos funcionários e na limpeza do ambiente.

Os equipamentos (pallets, computadores, etc.) devem ser de boa qualidade para que não sejam trocados constantemente, especialmente aqueles que serão submetidos a carregamentos. Não se esqueça de adicionar nos custos EPIs para funcionários que trabalharão nos estoques.

5. Siga as exigências legais e contábeis

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Quanto à tributação, lucros e dividendos e demais encargos, é necessário a contratação de um contador. Esse profissional lhe ajudará em relação a tudo que você precisa saber sobre registro contábil de uma empresa.

O proprietário deve tomar diversas medidas antes mesmo de iniciar as contratações, principalmente para evitar gastos futuros desnecessários. Os procedimentos básicos são:

  • Registro na Secretária da Fazenda (para obtenção do CNPJ)
  • Registro da Junta Comercial e junto à Receita Estadual (para inscrição estadual)
  • Registro na prefeitura
  • Registro na Secretaria da Fazenda Estadual
  • Enquadramento na ou nas respectivas entidades sindicais
  • Cadastro na caixa econômica federal (recolhimento do INSS e FGTS)
  • Obtenção do aval do corpo de bombeiros
  • Aval da prefeitura para instalação da loja no local desejado

Atenção aos custos e tributos

Cabe lembrar que além dos custos inerentes a equipamentos, funcionários e instalações, existe ainda o custo relativo à abertura da empresa (provenientes da documentação e encargos dos contadores).

Desde que a receita bruta não ultrapasse R$360.000 ao ano, é possível atuar pela legislação do Simples Nacional. As alíquotas do Simples Nacional para esse ramo de atividade variam de 4% a 11,61%, de acordo com a receita bruta da loja. Nesse regime, o recolhimento de tributos e contribuições podem ser realizados por um único documento fiscal, o DAS. Os itens envolvidos nessa coleta são:

• IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
• CSLL (contribuição social sobre o lucro);
• PIS (programa de integração social);
• COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade social);
• ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
• INSS (contribuição para a Seguridade Social relativa a parte patronal).

Por fim, a ABNT apresenta diversas normas de funcionamento. Elas não são específicas para lojas de material de construção, mas, sim, para comércios em geral.

Naturalmente, nem tudo foi abordado, mas com essas sugestões já é possível ter uma boa noção de por onde começar para montar uma loja de material de construção. Estude mais a fundo os detalhes para não se surpreender com imprevistos.

Aproveite para continuar aprendendo e confira nosso post: Como escolher o regime tributário ideal para sua empresa?

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