A partir de janeiro de 2026, empresas optantes pelo regime de Lucro Presumido passaram a enfrentar uma mudança importante na forma de tributação. A atualização, regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 2.306, trouxe um novo modelo com duas faixas de tributação e um ajuste relevante para negócios com faturamento mais elevado.
Se você é empresário ou gestor financeiro, entender essas mudanças é essencial para evitar surpresas no caixa e planejar melhor a carga tributária da sua empresa. Neste artigo, explicamos de forma simples o que mudou, quem será impactado e como se preparar.
O que é o Lucro Presumido?
Antes de entrar nas mudanças, vale relembrar o conceito.
O Lucro Presumido é um regime tributário utilizado por muitas empresas no Brasil, especialmente aquelas com faturamento anual de até R$ 78 milhões. Nele, o governo presume uma margem de lucro com base na atividade da empresa e os impostos são calculados sobre esse valor estimado — e não sobre o lucro real.
Esse regime é bastante popular por sua simplicidade e, em muitos casos, por oferecer uma carga tributária mais previsível.
O que mudou no Lucro Presumido em 2026?
A principal mudança trazida em 2026 foi a criação de duas faixas de tributação, com impacto direto sobre empresas que faturam mais de R$ 5 milhões por ano.
Na prática, funciona assim:
- Até R$ 5 milhões de faturamento anual: permanece a regra tradicional do Lucro Presumido, sem alterações nos percentuais de presunção.
- Acima de R$ 5 milhões: passa a existir um acréscimo de 10% nos percentuais de presunção para cálculo do IRPJ e da CSLL.
Esse aumento não se aplica sobre toda a receita, mas apenas sobre a parcela que exceder o limite de R$ 5 milhões no ano.
Como funciona o acréscimo de 10% na prática?
A mudança pode parecer complexa à primeira vista, mas é simples de entender com um exemplo.
Imagine uma empresa que fatura R$ 6 milhões por ano:
- Os primeiros R$ 5 milhões continuam sendo tributados normalmente.
- O R$ 1 milhão excedente terá um percentual de presunção maior, com acréscimo de 10%.
Ou seja, o impacto não é linear sobre todo o faturamento, mas progressivo — o que cria, na prática, uma lógica semelhante a uma “faixa adicional” de tributação.
Quais impostos são afetados?
O aumento impacta diretamente dois tributos federais:
- IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica)
- CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)
Os percentuais de presunção utilizados para calcular a base desses impostos passam a ser maiores na faixa excedente, elevando o valor final a pagar.
É importante destacar que PIS e COFINS não sofrem alteração com essa medida.
Por que o governo fez essa mudança?

O objetivo principal dessa alteração é aumentar a arrecadação de empresas com maior capacidade financeira, sem alterar diretamente a estrutura básica do regime.
Na prática, o governo criou uma forma de tornar o Lucro Presumido mais progressivo, aproximando-o de uma lógica de tributação mais proporcional ao porte da empresa.
Empresas menores continuam com as mesmas regras, enquanto negócios maiores passam a contribuir mais.
Quem será mais impactado?
As empresas que mais sentirão o impacto são aquelas que:
- Faturam acima de R$ 5 milhões por ano
- Operam com margens de lucro elevadas
- Utilizam o Lucro Presumido como estratégia de economia tributária
Dependendo da atividade e da margem real da empresa, esse aumento pode reduzir significativamente a vantagem do regime em relação a outras opções, como o Lucro Real.
Vale a pena continuar no Lucro Presumido?
Com essa mudança, uma pergunta inevitável surge: ainda vale a pena permanecer no Lucro Presumido?
A resposta é: depende.
Cada empresa possui características próprias, como:
- Margem de lucro real
- Estrutura de custos
- Tipo de atividade
- Planejamento tributário
Em alguns casos, mesmo com o aumento, o Lucro Presumido ainda pode ser vantajoso. Em outros, migrar para o Lucro Real pode gerar economia tributária.
Por isso, a análise precisa ser feita de forma individualizada.
Planejamento tributário se torna ainda mais importante
Com a nova regra, o planejamento tributário deixa de ser apenas uma estratégia e passa a ser uma necessidade para empresas que estão próximas ou acima do limite de R$ 5 milhões.
Algumas ações que podem ser consideradas incluem:
- Revisão do regime tributário atual
- Projeção de faturamento anual
- Simulação de carga tributária em diferentes regimes
- Reorganização de atividades ou estrutura societária
Essas medidas ajudam a evitar pagamento excessivo de impostos e garantem maior previsibilidade financeira.
Impactos para o crescimento das empresas
Outro ponto importante é o impacto no crescimento.
Empresas que estão próximas do limite de R$ 5 milhões podem precisar avaliar com mais cautela suas estratégias de expansão, já que ultrapassar esse valor passa a ter um custo tributário adicional.
Isso não significa que crescer deixou de ser vantajoso — mas sim que o crescimento deve ser acompanhado de planejamento financeiro e tributário mais estratégico.
Conclusão
A mudança na tributação do Lucro Presumido em 2026 representa um marco importante para empresas brasileiras, especialmente aquelas com faturamento mais elevado. A criação de duas faixas de tributação e o acréscimo de 10% nos percentuais de presunção tornam o regime menos uniforme e mais sensível ao volume de receita.
Diante desse novo cenário, entender o impacto das mudanças e revisar o enquadramento tributário da empresa é fundamental para manter a saúde financeira do negócio.
Se sua empresa é do Lucro Presumido e fatura mais de R$ 5 milhões no ano, procure seu contador para avaliar a melhor alternativa de tributação.






