Se você tem (ou está pensando em abrir) um comércio, já deve ter ouvido essa história: “vou vender informal mesmo, depois eu formalizo”.
O problema é que esse “depois” costuma custar bem mais caro do que parece. A contabilidade para comércio transforma a gestão de um negócio ao garantir o cumprimento das leis fiscais e otimizar o controle financeiro.
Leia este blog até o final e entenda: qual a importância da formalização, como ela funciona, qual regime tributário escolher e mais!
Por que devo formalizar o meu negócio?
Sem impostos, sem burocracia, sem contador… Trabalhar informal parece até mais simples no começo, mas essa “simplicidade” pode resultar em prejuízos para o seu negócio:
- Sem nota fiscal: empresas e órgãos públicos não compram de quem não emite nota. Isso fecha portas de crescimento.
- Sem CNPJ: o banco não empresta dinheiro. Linha de crédito, cartão empresarial, financiamento de estoque, tudo isso pede que a sua empresa seja formal.
- Responsabilidade pessoal: informal, seu patrimônio pessoal (casa, carro, poupança) fica exposto se algo der errado, como em um processo, uma dívida, um acidente na loja.
- Sem organização, sem controle: muito comerciante informal não sabe, de fato, se está lucrando ou só girando dinheiro.
A contabilidade para comércio protege o seu comércio, separa sua vida pessoal do seu negócio, e isso faz muita diferença quando as coisas apertam.
Qual o regime tributário ideal?
Depende do seu faturamento anual, da atividade exercida e do porte da empresa. Além disso, a escolha do regime tributário impacta diretamente o valor dos impostos pagos e a saúde financeira do negócio.
Veja abaixo as características de cada regime e em qual você se encaixa atualmente.
MEI (Microempreendedor Individual)
Ideal para autônomos e pequenos negócios, fatura até R$ 81 mil por ano e trabalha sozinho ou com no máximo um funcionário.
Imposto fixo mensal, com baixa burocracia. É um ótimo ponto de partida, mas tem limitações: teto de faturamento baixo, restrição de atividades, e nem todo tipo de comércio pode ser MEI.
Simples Nacional
Se enquadra no Simples Nacional quem já ultrapassou o limite do MEI ou nunca se encaixou nele.
Reúne vários tributos numa única guia, a DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), com alíquotas que crescem conforme o faturamento.
Para comércio, existe um detalhe importante: a tributação segue o Anexo I, e a alíquota efetiva varia conforme a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses.
Lucro Presumido
Faz sentido para negócios com faturamento maior, de até R$ 78 milhões por ano, e margem de lucro alta, onde o cálculo “presumido” de lucro (um percentual fixo sobre a receita) acaba sendo vantajoso comparado ao real.
Lucro Real
O Lucro Real é obrigatório para grandes empresas com faturamento anual superior a R$ 78 milhões. Os impostos são calculados com base no lucro líquido contábil efetivo do período. Se a empresa tiver prejuízo, não paga IRPJ nem CSLL.
O momento da escolha é importante e você deve ficar atento. A decisão errada pode significar pagar imposto muito acima do necessário ou ficar exposto a multas por enquadramento indevido.
O que muda tendo uma contabilidade para comércio?
Diferente de quem presta serviço, o comércio é mais complexo devido a mercadoria. Isso exige planejamento e uma boa contabilidade por trás, pois assim você cuida do seu negócio enquanto o contador cuida da burocracia.
Controle de estoque integrado ao financeiro
O estoque precisa ser contabilizado como ativo, com entradas e saídas batendo com as notas fiscais. Sem isso, você passa a achar que está lucrando quando na verdade só está girando capital.
Custo da mercadoria vendida (CMV)
É um dos indicadores mais importantes do varejo: quanto custou, de fato, o que você vendeu (incluindo compra, frete, perdas). Sem calcular o CMV direito, a margem de lucro que você acha que tem pode não existir.
Emissão de notas fiscais e classificação fiscal (NCM)
Cada produto tem um código NCM que determina a tributação. Errar esse código pode gerar cobrança de imposto errado, autuação e problemas com o fisco.
ICMS
É o imposto estadual sobre circulação de mercadorias, e varia por estado e por tipo de produto. Tem regimes de substituição tributária (ICMS-ST) que mudam bastante o cálculo dependendo do setor, como bebidas, cosméticos, autopeças e outros que costumam ter regras específicas.
Diferencial de alíquota (DIFAL)
Envolve calcular a diferença entre a alíquota interna e interestadual e é relevante principalmente para quem vende online para outros estados.
Fluxo de caixa separado do resultado contábil
Vender muito não é o mesmo que ter dinheiro sobrando no caixa, e é aí que muito comerciante se perde.
Folha de pagamento
Se você tem vendedores, caixas, estoquistas, a folha entra na conta com todos os encargos: INSS, FGTS, férias, 13º. Isso pesa no fluxo de caixa e precisa ser planejado.
Obrigações que a contabilidade cuida para você
- DAS: para quem é MEI ou Simples Nacional
- SPED Fiscal: para empresas fora do Simples, que precisam declarar detalhadamente as operações
- Declarações acessórias estaduais: que variam de estado para estado
- Emissão de NF-e ou NFC-e: dependendo se a venda é para empresa ou consumidor final
- Balanço e apuração de resultado: principalmente fora do MEI
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